Ele ficou parado… com aquela expressão de um homem que acabou de perder o controle e não faz ideia de quando isso aconteceu.
“Você não tem o direito de mexer nas minhas coisas”, disse ele finalmente, mas já não parecia tão firme.
“E você não tinha o direito de usar meu sobrenome com outra mulher”, respondi sem elevar a voz.
Silêncio. Pesado. Daquele tipo que não pode mais ser preenchido com desculpas.
Levantei-me devagar. Não para confrontá-lo, mas para criar distância.
“Você foi com ela porque ela estava doente… ou porque era conveniente para você?”, perguntei.
“Não é o que você pensa.”
“Nunca é”, interrompi, “até que seja”.
Diego passou a mão pelos cabelos. “Camila precisava de apoio.”
Eu dei uma risada. “E esse apoio incluía uma cama king-size, champanhe e desligar o celular?”
Ele não respondeu. De novo. Sempre o silêncio quando não há mais mentira que possa se sustentar.
Caminhei até o laptop. Abri-o. Virei a tela na direção dele.
“Li o resultado completo.”
Foi nesse momento que sua respiração mudou.
“Você não deveria ter feito isso…”
“Eu não deveria ter o quê? Descobrido? Me protegido?”
Pausa.
Ou arruinou sua história?
Ele deu um passo à frente. Hesitou. “Mariana… eu não sabia o que fazer.”
“Sim, você fez isso.” Olhei-o diretamente nos olhos. “Você escolheu ficar em silêncio.”
Pausa.
“Você escolheu voltar.”
Outra pausa.
“E você escolheu me tocar sem me dizer nada.”
Aquela o magoou de verdade. Eu vi.
“Quando voltei, não aconteceu nada”, disse ele rapidamente.
“E você esperava que eu acreditasse em você?”
Silêncio.
“Porque fui eu quem teve que confiar em você”, acrescentei, “sem saber de nada.”
Ele se sentou. Finalmente. Como se o peso finalmente tivesse desabado sobre ele.
“O que exatamente está escrito?”, perguntou ele.
Ali estava. O medo. Real. Cru. Não o medo pelo nosso casamento — o medo das consequências.
Olhei para ele. Fiz com que esperasse. Assim como eu havia esperado. Assim como eu havia aberto aquele arquivo sozinha.
“Não”, eu disse finalmente.
“Não, o quê?”
“Não vou te contar.”
Ele se levantou abruptamente. “Mariana!”
“Porque você sabia .”
Pausa.
“E mesmo assim, você decidiu não me dizer nada.”
Ele congelou. E pela primeira vez… não tinha uma saída rápida. Não tinha controle. Nenhuma personalidade. Apenas medo.
“E se for sério?”, ele sussurrou.
“Então você deveria ter pensado nisso antes.”
Caminhei em direção à porta.
“Onde você está indo?”
“Fazer o que você não fez.”
“O que?”
Abri a porta. “Para cuidar de mim mesma.”
“Mariana…” sua voz já não era arrogante. “Você está bem?”
Parei. Essa pergunta veio tarde. Muito tarde. Mal virei a cabeça.
“Isso não é mais da sua conta.”
Saí. E desta vez… eu não carregava dor. Eu carregava clareza. E isso… isso é muito mais perigoso do que qualquer escândalo.