Tuyệt vời. Dưới đây là Phần 1 bản dịch sang tiếng Bồ Đào Nha (Brazil).
Marcos soltou uma risada nervosa.
— Que cláusula? Doutor, acho que houve um engano. Eu sou o marido dela. Sou eu quem toma as decisões por ela.
O Dr. Ibarra não elevou a voz.
— Isso era antes de o Sr. Arthur Robles deixar instruções específicas contra o senhor.
O quarto mergulhou em um silêncio tão profundo que até o monitor cardíaco parecia estar escutando.
Minha mão ainda estava entre as de Marcos.
Estava fria.
Úmida.
Trêmula.
Já não era a mão do homem que costumava acariciar meus cabelos quando eu chorava pela morte do meu pai.
Era a mão de alguém encurralado.
Carmen foi a primeira a reagir.
— Isso é uma falta de respeito. Meu filho está aqui dia e noite cuidando da esposa.
O Dr. Ibarra virou outra página da pasta.
— Temos registro de que o Sr. Marcos Velasco solicitou informações sobre a conta europeia da paciente há quatro dias.
— Isso é mentira! — Marcos gritou.
— Também temos registro de duas tentativas de alterar o beneficiário de um seguro privado em nome da Sra. Elena Robles. E de um pedido verbal feito ao Dr. Salgado para prolongar a sedação sem qualquer justificativa clínica.
Senti o ar rasgar meus pulmões.
Eu não sabia da existência desse seguro.
Não fazia ideia de que Marcos tinha chegado tão longe.
Sempre pensei que a ambição dele tivesse limites.
Mas existem pessoas que, quando sentem o cheiro do dinheiro, não se transformam em animais.
Transformam-se em algo pior.
Transformam-se em familiares preocupados.
Marcos soltou minha mão.
— Quero falar com o diretor do hospital.
— Ele já está ciente de tudo — respondeu Ibarra. — Assim como a polícia estadual.
Carmen deixou escapar um gemido.
— Polícia? Por quê? Minha nora caiu da escada!
Foi naquele instante que minha alma se sentou na cama, embora meu corpo continuasse imóvel.
A lembrança caiu sobre mim como uma avalanche.
A noite da queda.
O corredor escuro.
Marcos atrás de mim.
A discussão por causa da casa no Brooklyn.
Eu dizendo que aquela casa jamais seria vendida.
Ele sorrindo com uma calma assustadora.
— Seu pai já morreu, Elena. Pare de viver agarrada aos fantasmas.
Depois…
A mão dele.
Não foi um empurrão violento.
Não como nos filmes.
Foi apenas um leve impulso.
Preciso.
Suficiente.
Depois vieram os degraus.
A pancada na nuca.
O lustre girando no teto.
E a voz de Marcos chamando meu nome quando já era tarde demais para fingir inocência.
Não foi um acidente.
Eu sabia.
Meu corpo se lembrava antes da minha própria memória.
Eu queria abrir os olhos.
Queria apontar para ele.
Queria dizer:
— Foi ele. Ele me empurrou.
Mas o medo me impediu.
Se Marcos acreditasse que eu ainda estava inconsciente, continuaria cometendo erros.
E eu precisava ouvi-lo cair.
O Dr. Ibarra aproximou-se.
Senti sua presença ao lado da cama.
— Sr. Velasco, a partir deste momento, o senhor e a Sra. Carmen estão proibidos de permanecer sozinhos com a paciente. Qualquer decisão médica passará obrigatoriamente pela Dra. Rivas, previamente designada por Arthur Robles, e pela advogada Jimena Alcázar, executora legal do patrimônio.
Marcos respirou fundo.
— Meu sogro está morto.
— Sim — respondeu Ibarra. — Mas, ao contrário de algumas pessoas que ainda estão vivas, ele deixou tudo perfeitamente organizado.
Carmen começou a chorar de raiva.
— Arthur sempre nos odiou! Nunca enxergou meu filho como alguém digno!
Pela primeira vez, Marcos não a mandou calar a boca.
Talvez porque aquela fosse a única verdade que ambos compartilhavam.
Meu pai nunca confiou nele.
E eu costumava chamá-lo de preconceituoso.
Dizia que Marcos era atencioso, trabalhador, carinhoso.
Meu pai apenas me olhava com aquela tristeza de um homem que já tinha visto mentiras demais escondidas atrás de ternos impecavelmente passados.
— Filha — ele me disse certa vez —, existem pessoas que não roubam tudo de uma vez. Primeiro, convencem você de que abrir a porta é uma prova de amor.
Eu fiquei furiosa.
Passei três semanas sem visitá-lo.
Três semanas que agora me cortavam como facas.
A porta do quarto se abriu novamente.
Uma mulher entrou.
Saltos firmes.
Perfume discreto.
Uma pasta de documentos debaixo do braço.
— Sou Jimena Alcázar — disse ela. — Advogada de Arthur Robles e representante temporária dos interesses de Elena.
Marcos soltou uma risada amarga.
— Que conveniente. Todo mundo aparece justamente agora que minha esposa está em coma.
— Não — respondeu ela. — Nós aparecemos porque foi o senhor quem a colocou nesse estado.
Carmen gritou:
— Cuidado com o que está dizendo!
— Estou tomando cuidado há seis meses — respondeu Jimena. — Seu marido, Sra. Elena, deixou instruções gravadas, documentos assinados, fotografias, cópias de mensagens e relatórios de investigação particular.
Meu coração começou a bater violentamente.
Investigação particular.
Meu pai sabia.
Meu pai observava tudo de longe enquanto eu me afastava dele para defender Marcos.
Jimena colocou alguns documentos sobre a mesa.
— Elena não era a única herdeira de Arthur Robles.
Marcos ficou completamente imóvel.
Carmen parou de chorar.
E eu também parei de respirar.
— Como assim? — perguntou Marcos.
A voz de Jimena tornou-se ainda mais baixa.
— Aqueles quinhentos mil dólares eram apenas a isca.
A isca.
A palavra iluminou o quarto como um relâmpago.
— O verdadeiro patrimônio de Arthur Robles jamais esteve naquela conta — continuou ela. — Aquela conta foi criada para identificar quem tentaria acessá-la sem autorização caso Elena ficasse vulnerável.
Marcos murmurou um palavrão.
Carmen desabou na cadeira.
E, em meio à dor, senti algo parecido com uma risada nascer dentro de mim.
Meu pai.
Meu velho teimoso.
O homem dos chapéus, do café preto e dos cadernos cheios de códigos.
Ele havia preparado uma armadilha mesmo depois de morrer.
E Marcos, com toda a inteligência de um ladrão elegante, tinha caído nela como uma mosca presa no mel.