Ele tinha apenas cinco anos.
Demasiado novo para entender a morte.
Demasiado novo para saber que, às vezes, quando alguém vai embora… não volta mais.
Então ele esperou.
Sentado na beira do sofá, uma perna a balançar. Um desenho de cera apertado na mão pequenina — uma camisola vermelha, uma figura sorridente em pauzinhos, uma bola, e as palavras:
“Para o Papá.”
A Noite Que Nunca Acabou
A casa estava silenciosa. Silenciosa demais. A mãe estava na outra divisão, caída no chão, a tremer — o telefone na mão, o rosto pálido, os olhos vazios.
Mas ele não a viu.
Estava à espera de uma batida à porta.
Do som das chaves do pai.
Daquela voz — suave, cansada, cheia de amor — a dizer:
“Desculpa o atraso, campeão.”
Em vez disso, algures longe de casa, num amontoado de metal retorcido numa autoestrada espanhola, Diogo Jota já tinha partido.
E ninguém teve forças para dizer ao menino, orgulhoso com o seu desenho, que essa noite não haveria história para adormecer.
Nem mais um golo antes de dormir.
Nem um abraço de boa-noite.
Apenas silêncio.
O Desenho Que Nunca Chegou a Entregar
Fontes familiares dizem que o menino passou a tarde inteira a trabalhar no desenho. Era para ser uma surpresa — um presente de “bem-vindo a casa” quando o Diogo voltasse da pausa de recuperação.
Até pediu à tia para ficar acordado até mais tarde, “só desta vez”, para o entregar pessoalmente.
“Ele queria ser a primeira coisa que o pai visse ao entrar pela porta,” disse um amigo da família.
“Mas acabou por ser… a última coisa que o Diogo nunca chegou a ver.”
O desenho foi mais tarde encontrado no chão do corredor, manchado, como se tivesse sido apertado por muito tempo. O lápis de cera vermelho tinha borrado o papel, onde pequenas lágrimas tinham caído.
