Paparazzi tiraram fotos dos últimos momentos de vida da Princesa Diana em vez de ajudá-la enquanto ela jazia ferida no banco traseiro de seu Mercedes destruído, segundo ouviu o júri no inquérito sobre sua morte ontem.

Cena do acidente
Jurados atônitos receberam imagens gráficas que mostram os fotógrafos registrando cenas segundos após o acidente, enquanto as portas do carro ainda estavam fechadas e a princesa lutava para sobreviver.
Em uma das fotos, é possível ver um paparazzo inclinado para dentro do veículo, com a câmera colada ao rosto, enquanto Diana está caída no chão com ferimentos horríveis, ao lado de seu companheiro Dodi Fayed, também morrendo. O Mercedes preto ainda soltava fumaça.
Outras imagens mostram o Dr. Frédéric Mailliez tentando desesperadamente salvar a princesa no banco traseiro, seguido por uma equipe de paramédicos tentando reanimá-la enquanto ela já está no chão, na calçada.
O inspetor Paul Carpenter, que reuniu as 140 imagens tiradas por oito paparazzi, conduziu os jurados pelas fotografias perturbadoras.
Michael Mansfield QC, advogado representando Mohamed al Fayed, pai de Dodi, perguntou:
— “Obviamente, os paparazzi presentes no local não tiveram escrúpulos em fotografar as vítimas dentro do carro e sendo retiradas dele, certo?”
O Sr. Carpenter respondeu:
— “Nenhum, senhor.”

Os paparazzi haviam seguido Diana e Dodi desde o hotel Ritz, em Paris, até o túnel da Alma, onde o Mercedes, conduzido por Henri Paul, colidiu. Uma das imagens mostra o corpo da princesa curvado em posição antinatural. O rosto foi pixelado, mas o cabelo loiro característico de Diana tornava-a facilmente reconhecível.
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Em outra foto, sua perna, vestida de calça branca, aparece levantada e pendurada para fora da parte de trás do carro.
O inquérito, realizado no Tribunal Superior de Londres, também exibiu fotos de ficha policial dos 17 paparazzi que foram presos na cena do acidente, mas posteriormente libertados sem acusação.
Richard Keen QC, representando a família de Henri Paul, mostrou uma série de oito fotos tiradas por um dos fotógrafos e perguntou ao Sr. Carpenter:
— “O senhor percebe que, em todas essas fotos, a porta do Mercedes ainda está fechada?”
— “Portanto, em vez de se aproximarem do carro e abrirem a porta para ajudar ou verificar a condição dos ocupantes, temos alguém que simplesmente passa pelo veículo com o objetivo de tirar fotografias?”
Sr. Carpenter respondeu:
— “Correto.”
Uma das imagens mostra o fotógrafo Romuald Rat agachado ao lado da porta aberta do Mercedes, após o acidente.
O Sr. Keen alegou que o fotógrafo chegou até a contornar os destroços em chamas para conseguir uma imagem da parte da frente do veículo.
A testemunha Noé da Silva contou que viu vários fotógrafos ao redor do carro destruído enquanto passava pelo túnel.
O jornalista francês em formação disse:
— “Nenhuma das portas do carro estava aberta do lado que consegui ver.”
— “Vi sangue, airbags e silhuetas dentro do carro. Fiquei muito chocado, porque pude ver até mesmo pessoas pelo para-brisa.”
— “Pensei comigo mesmo: se essas pessoas estão tirando fotos, os feridos já devem ter sido retirados, e os que ainda estão no carro devem estar mortos.”
Nem Mohamed al Fayed nem Lady Sarah McCorquodale, irmã de Diana, estavam no tribunal para ver as imagens angustiantes. Mas o pai de Dodi chegou mais tarde e foi visto folheando o dossiê.
Outras fotos mostraram Diana e Dodi saindo do Ritz. No entanto, não havia imagens do trajeto entre o hotel e o túnel. O juiz-corregedor Lord Justice Scott Baker proibiu a divulgação das fotos, que foram apreendidas pela polícia.