Sob o céu cinzento de Gondomar, Ave Maria ecoou — mas desta vez, foi um adeus
No final da cerimónia fúnebre conjunta de Diogo Jota e do seu irmão André Silva, o som de “Ave Maria” de Schubert encheu a pequena igreja barroca de Gondomar, perto do Porto.
A mesma canção havia sido entoada por Alexandra Quinta e Costa, apenas 13 dias antes, no casamento de Jota e Rute Cardoso, o seu amor de adolescência.

Mas neste sábado, com os caixões a serem levados para o cemitério de São Cosme, o significado daquela melodia mudou para sempre.
Rute, agora viúva, vestida de branco, não desviou o olhar do caixão do marido nem por um segundo.
Com os sinos a dobrarem lentamente, ela agarrou-se à madeira fria, os dedos a tremer, as lágrimas escorrendo.
Num momento de dor pura, encostou a testa à tampa, sussurrando um último adeus.
Em publicação nas redes sociais, a cantora Costa escreveu:
“Cantei num dos dias mais felizes das vossas vidas. Hoje, cantei no vosso adeus. Que mundo este. Os meus sinceros sentimentos a toda a família por esta perda tão dolorosa.”
Apenas duas semanas antes, ela tinha visto o casal de 28 anos trocar votos diante dos seus três filhos pequenos.
Agora, Rute levava ao túmulo o homem de coração alegre e pés mágicos.
Entre os presentes estavam Virgil van Dijk, Andrew Robertson, Rúben Neves, Jordan Henderson, Fernando Santos, Rúben Dias e muitas outras figuras do futebol mundial.
A dor era visível em todos os rostos. Alguns esconderam as lágrimas atrás de óculos escuros. Outros apertavam flores contra o peito.
A igreja estava tão cheia que centenas ficaram de pé do lado de fora, muitos envergando camisolas de Portugal ou do Liverpool.
As palavras do Bispo do Porto, D. Manuel Linda, ecoaram no silêncio:
“Ver o corpo de um filho já é um tormento. Ver dois… não há palavras. Se é difícil ver um adulto chorar, ver uma criança chorar é ainda pior. A dor da mãe e dos avós é imensa.”
Diogo Jota e André Silva perderam a vida numa madrugada trágica em Espanha, quando o Lamborghini em que viajavam se despistou.
Planeavam seguir de ferry para Inglaterra.
Os corpos foram sepultados lado a lado, sob oliveiras silenciosas, perante aplausos e silêncio respeitoso.
Rute sussurrava as mesmas palavras, como uma oração:
“Eu vou encontrar-te outra vez… Espera por mim.”