“Lucy… querida, não assine nada. Não feche os olhos novamente. Eles estão vindo atrás de você.” O nome percorreu meu peito como um sino tocando. Lúcia. Não Valéria. Lúcia. – RECORD

“Lucy… querida, não assine nada. Não feche os olhos novamente. Eles estão vindo atrás de você.” O nome percorreu meu peito como um sino tocando. Lúcia. Não Valéria. Lúcia.

Marcus investiu contra o monitor e arrancou o fio. A tela ficou preta, mas a voz daquela mulher já havia penetrado no meu sangue. Não precisava me lembrar de todo o rosto dela. Meu corpo a reconheceu. Minhas mãos, minha respiração, aquela parte de mim que permaneceu viva sob as pílulas por dois anos.

“Quem foi aquele?” Perguntei, embora a resposta já doesse. Eleanor empalideceu. “Marcus, isso está fora de controle.”

Ele se virou para mim com os olhos cheios de frio, raiva clínica, como se eu não fosse uma mulher acordando, mas um experimento falhando. “Não dê ouvidos a nada, Valerie. Seu cérebro está misturando estímulos.” “Meu nome é Lucy.” Sua mandíbula cerrou. “Seu nome é o que eu disser, contanto que você continue respirando na minha casa.”

Essa frase quebrou alguma coisa. Durante dois anos acreditei nele porque ele falava como um médico. Porque ele usava palavras limpas para fazer coisas sujas. Porque ele acariciou meu cabelo depois de me drogar e disse que me amava enquanto roubava meus dias.

Sentei-me na maca. Marcus deu um passo em minha direção. “Deitar-se.” “Não.”

Eleanor agarrou a sacola de documentos ao peito. “Marcus, aquela videochamada poderia nos rastrear. Temos que ir embora.” “Saímos quando ela assina.”

Ele agarrou minha mão à força. A caneta ainda estava entre meus dedos. Debaixo da pasta havia páginas com selos notariais, minha foto, minha impressão digital, uma assinatura falsificada imitando a minha e uma frase que consegui ler: “Transferência total dos direitos financeiros de Lucy Archer Sanders.”

Sanders. Esse sobrenome abriu uma porta. Vi uma casa velha em Georgetown. Uma fonte com azulejos quebrados. Uma mulher rindo enquanto me perseguia com uma toalha. “Lucy Sanders, se você pisar na lama com esses sapatos, seu avô terá um ataque cardíaco.”

Minha mãe. A mulher na tela. Ela não estava morta. Eles me enterraram vivo.

Marcus pressionou a ponta da caneta no papel. “Sinal.” “Não.” Ele apertou meus dedos até que eles estalassem. “Assine, ou a próxima dose não deixará mais nada para se recuperar.”

Eleanor tremeu. “Não a mate aqui.” Olhei para ela. “Aqui? Então, outro lugar é bom?”

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